Colocar e adaptar Aparelho Auditivo é um processo longo, cansativo, tal qual a vida. MAS VALE A PENA

Quem vê de longe, engana-se com o processo de adaptação do meu aparelho auditivo. Ouvi de algumas pessoas – próximas ou não – que eu “lidei muito bem” com o fato de precisar dos aparelhos e que tudo pareceu relativamente fácil, que eu abracei a necessidade de uma forma bonita, que foi um processo tranquilo.


Sendo bem honesta? Não é fácil. Nem tranquilo.

Imagine só: eu vivia dentro de uma bolha confortável que era a minha má audição. Até que eu soubesse que ouvia mal, eu achava que estava tudo bem. É importante entender que PERDA AUDITIVA e SURDEZ são coisas completamente diferentes então, dentro do meu mundinho, eu ouvia. Fui entender que escutava (muito) mal só quando aceitei – a contra gosto – fazer o teste de sete dias num aparelho auditivo.


Aí começa a montanha russa de sensações. Enquanto parte de mim ficou encantada com os novos sons que eu já não ouvia, outra parte ficou extremamente irritada e com dor de cabeça devido ao barulho demais. Apesar do aparelho auditivo ser extremamente confortável e ter um som limpo, os ajustes até chegar àquilo que é aceitável por mim é demorado, estranho e minimamente chato.


Eu não tinha parâmetro, entende? A única referência que possuo é simplesmente o não-ouvir, então como saber o que é confortável? Como conseguir diferenciar os sons e entender o que é normal e o que precisa de ajuste?

Precisei de muita paciência. Não só minha, como da equipe que me atendeu e da minha família, por precisar entender meus momentos. Uma equipe de profissionais da área ajudam a entender o que é normal e o que não é; então eles vão ditando os ajustes e sabendo melhor como lidar com as reclamações – até aquelas mal explicadas; como quando eu precisei desenhar um barulho que distorcia dependendo do ambiente e, tcharã, resolveram em dois segundos, num atendimento remoto (e eu ainda não cansei de me maravilhar com a conectividade desses aparelhinhos).


Tem dias que incomoda. Tem vezes que percebo sons que precisam de ajuste, embora isso fique cada vez mais espaçado. O aparelho vai se ajustando a minha rotina e eu vou me adaptando à ele; então nos damos bem a maior parte do tempo.


Demora um pouco, confesso. Sair do pouco ouvir para ouvir demais e precisar ajustar, aceitar, adaptar... Mas vale a pena. Quando me vejo sem bateria, quando percebo que, sem querer, saí de casa sem os mesmos, o pânico se instaura.


Pode ser lento processo de adaptação e ajustes de um novo aparelho auditivo.

Mas não ouvir e não poder usá-los é pior.


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