ESCONDO-ME NOS PONTOS FINAIS

Eu sou boa em me esconder nos pontos finais. Faço valsa com as palavras que me escapam dos dedos e me camuflo nas entrelinhas, deixando escapar toda verdade sentida. Talvez eu não demonstre sempre, mas todo dia deixo tatuado no papel um pouco de mim, de saudade, de sentir...

Faz um tempo que comecei a guardar dentro das gavetas esses textos sem muito sentido pro mundo. Houve um tempo que eu deixava voar cada letrinha, mas, não sei quando – tampouco porquê – parei de fazer. Entrei num mood tão equivocado, que passei catalogar: “isso pode ser lido”, “isso ninguém vai gostar de ler”; baseando, claro, nas minhas próprias métricas e expectativas.


Sinto falta. E eu coloco um ponto final depois da falta porque, se eu for listar tudo que me falta, fica imenso. Mas sinto falta, sobretudo, de algumas coisas mais vintages e, estando nós nessa era cringe, me permiti a licença de tomar de volta o meu próprio espaço, deixando escapar frases soltas, verdades cruas pouco expostas e uma liberdade sem medida.


É sábado e o frio amornou um pouco. São Paulo está azul, imensa e pinta uma lua no céu, enquanto o vinho tinto me tinge os lábios. Entre um gole de vinho seco e outro, deixo os dedos tamborilarem este teclado. Livres. A cabeça ignora a lista de tarefas que se acumula; afinal... é sábado; deixa ansiedade para mais tarde.


No peito a sensação agridoce. Um pouco agradecido por tudo, um pouco amuado e solitário. A solitude é amarga às vezes e alguns dias pede colo, dedos roçando suave e alguma madrugada infinita...


Eu sou boa em me esconder nos pontos finais. Faz um tempo que comecei a guardar dentro das gavetas esses textos sem muito sentido pro mundo. É sábado, o frio amornou um pouco e eu, cringe, retomo meu espaço como meu; deixando esse blog com mais carinha de blog dos anos dois mil e lá vai tanto tempo...


O dia hoje é agridoce e vinho tinto.

Sinto falta.


~ mafê probst | @mafeprobst

55 visualizações

Posts Relacionados

Ver tudo