EU NÃO SEI NADA SOBRE O AMOR

Vivi de galho em galho, emendando um conto de fadas n’outro e desejando algum final feliz, mas tudo que li não me preparou para a casca dura da realidade que vomita o amor de outras formas diferentes das que vi. Desenhei alguns amores com a ponta dos dedos e acreditei, duramente, que amava desses felizes-para-sempre, até perceber que tudo não passou de invenção infantilóide minha.


Era tudo aceitação & acomodação, um estado de estabilidade sentimental vibrando um letreiro neon “OK”. Vivi relações pautadas no “ok” e ter intuído tal conclusão me trouxe uma tristezinha diminuta. Nunca fui eu, era tudo sempre o outro, provando para si que podia & conseguia & tudo bem. Relações baseadas no tamanho do próprio umbigo, sem um pingo de amor-amor, desses de romances bonitos e clichês de filmes hollywoodianos.

Preenchi meu pouco tempo livre com filmes leves e livros apaixonáveis. Todo roteiro é pincelado com amores dignos de lágrimas bobas; cutucando alguma ferida estranha quando mencionado nas partes finais: baseado em fatos reais... O amor é pincelado numa troca de olhares no meio da escola de samba; irretocável numa viagem para ver a pessoa amada; eternizado em peças de algum musical que conquistou a Broadway...


E é retratado de uma maneira tão genuína que, a duras penas, só me resta o óbvio arremate: eu não sei nada sobre o amor. Talvez saiba, minimamente, dos amores que vesti, dos platônicos que nutri e das minhas dedicações; mas... só. Acho que vivi amores unilaterais, vias de mão única, onde eu cedia, doava e apaixonava, mas nunca fui amante e apaixonante de volta.


Não teve a cosquinha, sabe?


Aquela que dá quando se percebe o outro chegando. A coceira que pinica a nuca quando sente que tem alguém te olhando & emanando algum tipo de amor bobo-orgulhoso por estar vibrando alegria de ter a companhia; com olhos trêmulos de outra garoa boba e riso de estrelas.


Talvez eu esteja fantasiando alguma irrealidade, imaginando amores que, quiçá, fazem sentido; só que teimo nutrir alguma esperança de sentir na pele esses contos de fadas reais que vejo por aí, dentro & fora das telas; dentro & fora dos livros. Há de chegar minha vez de sentir a cosquinha pinicar na nuca e transitar por via de mão dupla.


Há de chegar... Não há?

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