FRÁGIL COMO UM DENTE-DE-LEÃO

Sempre me escondi no meio das palavras. Acho que me sinto mais confortável nas entrelinhas, sabe? Sou campeã em deixar as coisas subentendidas, ou tudo por dizer — das minhas manias, a mais triste.

Quando escrevo, sempre me escapo. Falo demais até. Secretamente, é como se soubesse que as palavras podem ser fantasiosas e imaginativas. Quem é que compra a veracidade daquilo que é escrito? Quem arrisca acreditar que todas as vírgulas, preposições e pontos finais são sinceros e reais? Fica o dito pelo não dito, a pulga atrás de orelha e eu nua. Despida nas letras que finjo que não são minhas; crua como deve ser.


Não lembro quando isso tudo começou, talvez eu sempre tenha sido assim. Construí uma carcaça que parece intransponível, desenhei uma armadura de papel crepom e vesti. Não pode chover, senão mancha tudo, vê? É tudo frágil – eu só finjo que não.

E, de tanto fingir, quase que acredito nessas mentiras. Nas que conto, e nas que finjo que conto, quando tento disfarçar que estou sem armadura nenhuma, quando tento me esconder e fingir costume. Eu não sei lidar com uma porrada de coisas, mas finjo bem. Firme e dura; quase fria.


Mas me derreto nas palavras. E minto que não sou eu, que é para – de mim – ninguém saber...


~ mafê probst | @mafeprobst

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