PROVE A BAGUNÇA QUE SOU EU


Não sei, e nem quero, explicar o que vem acontecendo aqui dentro. Vira e mexe me vejo perdida na minha própria bagunça e provando do meu próprio caos. Não é fácil ser eu, às vezes. Confusa, dramática, exagerada. Sou feita de intensões e intensidades; e, pois bem, até a desordem é intensa e grandiosa demais.


Eu não sei sentir de forma mediana. Não sirvo para ficar em cima do muro, entre o gosto e o desgosto. Comigo é tudo lá ou cá, entende? Se gosto – gosto muito, gosto de fato, gosto como se gostar fosse a última coisa que fosse fazer na vida. E se não gosto, devolvo na mesma intensidade. Vezenquando trato com educação, porque a vida exige. Vezenquando (a melhor parte), não convivo – e tudo fica bem.


Mas eu não sei só conviver; eu não sei só amornar.


E quando eu forço um dar de ombros, quando tento engolir um ‘tanto faz’, vira essa bagunça que me consome e esse excesso de mentiras engolidas sem água. Ou vinho. Tanto faz. Eu sou boa demais em contar mentiras pra mim mesma, eis um fato. E sou boa demais em me forçar acreditar nelas – mas tudo não passa de teatro.


Sei lá, quando a noite chega e o silêncio consome, fica só eu e minha consciência acordadas. Olhamos para o mesmo teto, colocamos a mão sobre o peito, sentindo o subir e descer da respiração. E a gente dá uma piscadinha sabendo que fingimos bem uma para outra, sabendo que amanhã seguiremos nessa bagunça e que sustentaremos inverdades.


Eu sei e talvez até arrisque explicar o que vem acontecendo aqui dentro. Mas finjo que não – e que não quero.


~ mafê probst | @mafeprobst

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