QUANTAS VEZES A GENTE DISSE ADEUS?

Dia desses estava refletindo quantas vezes eu me despedi de você. É insano pensar que colecionamos mais despedidas do que reencontros, vê? Sempre fomos recheados de pontos finais, de encruzilhadas e fins de linha. Ficamos cegos por uma paixão insana, involuntária e impossível, e não vimos toda a improbabilidade de sermos dois.


Quantas vezes eu te disse adeus?


Assim, com a voz embargada em choro engolido, numa tentativa inútil de parecer mais forte, fria e insensível; ou com os olhos brilhando, súplices, dando um tchau sem som, mas tatuado em páginas de livros... Fomos fadados a sermos ausência, vê?


Quantas vezes ensaiei ficar?


Vira e mexe, em horas raras, desejei prolongar nós dois num momento infinito. Parar o tempo até decorar você, até decorar a gente. Decorar a valsa que nossos corpos faziam, sem querer, quando estávamos perto, inconscientemente cientes da presença um do outro. Decorar a poesia que nascia do suor e do emaranhado de lençóis. Decorar o sorriso que pulsava nos lábios, quando o peito queimava num cansaço bom. Decorar teus olhos que brilhavam num abraço apertado de ‘até breve, até mais’.


Quantas vezes a gente se despediu sem saber?


Tudo era urgente, vê? Corríamos, aproveitando o máximo que dava. Secretamente sabíamos que estávamos fadados aos pontos finais, mas, teimosos, desenhamos nossa história em linhas tortas e músicas muitas, mesmo assim. Insistimos, apesar do proeminente fim. Teimamos. Doemos. Vivemos. Apaixonamos. Até que cansamos de brigar com o fim da linha. Até que nos rendemos e demos meia volta, seguindo cada um para seu lado, despedindo... outra vez.


Quantos adeus a gente deu sem perceber?

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