VEZENQUANDO A SOLIDÃO PESA

Às vezes a solidão tem o peso de um elefante. Vezenquando é possível sentir a pata do bicho pisando, sem dó, bem no meio do peito, transformando as costelas numa farinha insossa. N’outros tempos eu derramaria algumas lágrimas pela dor do esmagamento; mas, tristemente, acostuma-se; e tudo fica apático, feito esse céu sujo de uma chuva que, assim como eu, também teima não cair.

Analisando a vida como um todo e tirando qualquer emoção do meio do caminho; vejo a razão dançando frevo pela alegria carnavalesca que segue a rotina. Colocando tudo na balança, não é preciso nem chegar perto para perceber qual lado pesa mais – e é bonito perceber que tem muito sonho antigo pesando no lado feliz das conquistas.


Mas às vezes a solidão tem o peso de uma baleia morta – e eu adoro as analogias fictícias dos pesos que, verdadeiramente, nunca senti. Sufoca. O choro que já não cai se enrosca na garganta e fico procurando alguns sinais do porquê sentir tanto, buscando entender em que momento abri as portas pra esse aquário-zoológico deixando qualquer bicho cair sobre mim.


Bem verdade, é difícil acostumar-se com o constante estado de ‘ser só’.

Ditar as próprias regras e seguir os próprios caminhos é provar uma liberdade infinita e deliciosa; mas, vezenquando, quando o céu suja e a temperatura cai meio grau, dá vontade de ter só um par de mãos pra ajudar a cortar as cebolas enquanto preparo algum jantar no meio da semana; ou poder brindar com beijo de vinho branco; quiçá, talvez, enroscar minhas pernas enquanto finjo assistir algum filme mediano.


Vezenquando, só vezenquando, vem a vontade de um “vem cá”. De um colo que faz esquecer do mundo; de um silêncio que conforta; daquela troca de olhares que diz e entende tudo...


Vezenquando, só vezenquando.

E, vezenquando, talvez seja hoje.

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