VEZENQUANDO EU SINTO ÓDIO

Ensaiei mil palavras para vomitar sem sentido. Vezenquando eu só sinto ódio, as mãos tremem e a garganta seca. Sinto a pupila dilatar e todo corpo vibrar numa frequência estranha. Mas só vezenquando, porque, vez em sempre, eu sigo. A vida tem me atropelado do lado de cá e estou me agarrando em toda ponta de corda possível, que é pra me sustentar nesse precipício que despenquei. Já doeu um pouco e eu estou evitando o tombo que é pra não doer de vez, não doer demais.

Sendo bem sincera: desconheço muita coisa.


Mudei muito nessas últimas semanas e me enxergo mudar exponencialmente a cada tique-taque do relógio. Quando me vejo em fotografias não-tão-antigas, não me reconheço. Quem, de fato, eu era? Quem, de fato, eu sou? Virei um emaranhado de memórias estranhas & não sei dizer que foi surto e o que fez sentido. O que foi sentido. Foi, de fato, sentido?


Daqui desse penhasco, presa nessas cordas que me agarro com unhas e dentes, vejo muito. Várias verdades e noções pularam diante dos meus olhos e eu tentei fixar minha atenção apesar da chuva torrencial que caiu do lado cá. Tem chovido menos, ainda bem. Mas eu passei tempestades doloridas. Vi meu pior pesadelo se materializando e se repetindo, dia após dia, ação após ação, palavra mal dita após palavra maldita...


Tudo era trovão e me diminuía. Talvez eu tenha me permitido diminuir, não posso me isentar desta culpa. Então quando vi o mundo, quando a tempestade veio, lavou e levou tudo de mim, sobraram só as verdades nuas, cruas e dolorosamente cruéis.


Diante do caos que me fazia sentido, eu ensaiei mil palavras para vomitar sem sentido. Quis deixar escapar as farpas que me feriam e dizer verdades que me doíam – e que foi difícil enxergar.


Mas ainda estou presa a corda. Tentando, loucamente, não despencar...


~ mafê probst | @mafeprobst

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